Médico afirma que interromper o medicamento contínuo pode comprometer o tratamento dos pacientes.

Pacientes de São José dos Campos (SP) reclamam da falta dos medicamentos de alto custo fornecidos pelo governo do Estado. Parcela dos remédio está com atraso de pelo menos três meses na entrega, o que prejudica o tratamento das doenças, já que há entre eles medicamentos de uso contínuo.

O aposentado Roberto Pereira fez transplante de rim há 15 anos e desde então toma um remédio para que o organismo dele não rejeite o órgão. Ele costumava retirar o tacolimo na farmácia do centro, mas desde agosto o remédio está em falta.

“Sem esse medimcamento eu perco o transplante que foi feito, podendo morrer ou voltar para a hemodiálise, que é um sacrifício. E pra conseguir um rim de novo é muito difícil”, disse.

Já a administradora de empresas Andrea Garcia precisa continuar o tratamento das duas filhas que tomam hormônio de crescimento. Na farmácia, o medicamento custaria R$ 7mil por mês, e a única maneira para não faltar foi dividindo as dosagens.

“A médica pediu para eu escolher a mais velha que é mais urgente, mas a pequenininha não consegue entender que vai ficar sem injeção e vai parar de crescer por um tempo. Então eu fui obrigada a reduzir a dose pra dar para as duas para estender um pouco mais o medicamento, mas agora também já acabou ”, contou Andrea.

De acordo com o especialista, a paralisação nos remédios de efeito contínuo pode comprometer o tratamento e causar perdas irreversíveis.

“Compromete muito. No caso de transplantes ele vai ter rejeição dos órgãos, no caso da somatropina que é o hormônio de crescimento essas crianças não vão crescer. São medicamentos caros que a população não tem condição de arcar, porque não dá pra interromper por cuasa de um motivo ou de outro”, afirmou o endocrinologista Israel Leiderman.

Outro lado

A Secretaria Estadual de Saúde, responsável pela entrega dos remédios, informou que o medicamento para crescimento chega até o fim de outubro.

Sobre o remédio para pacientes transplantados, a pasta informou que a compra é responsabilidade do Ministério da Saúde e que desde o começo desse ano a entrega está irregular, por isso não tem chegado em quantidade suficientes a todos os pacientes que fazem uso dele.

O Ministério da Saúde admitiu a falta do remédio e explicou que teve um problema jurídico com o fabricante e fornecedor do produto. A pasta garantiu que começou a regularizar o estoque desse remédio em todo país.

Para consultar a disponibilidade do remédio na farmácia pública, os moradores de São José podem acessar o site da prefeitura.

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