De cada 10 pessoas que procuram médico, uma está deprimida. Segundo Ministério da Saúde, depressão atinge 17 milhões de brasileiros.

Sentir uma tristeza profunda e não saber o porquê, perder o interesse de viver e não acreditar em mudanças podem ser sintomas claros de depressão. Quem se vê nessa situação muitas vezes não enxerga saída, mas a depressão tem cura. O tratamento precisa ser contínuo e vai do consumo de remédios a mudanças de hábito.

Segundo um instituto de pesquisa norte-americano, em 2012, foram vendidas 42 milhões de caixas de remédios que auxiliam no tratamento da doença. Alta de quase 9% em relação a 2011. Somente em São José do Rio Preto (SP), a maior cidade do noroeste paulista, o consumo também aumentou. De 2009 a 2012 o crescimento foi de 56%.

De acordo com o Ministério da Saúde, hoje a depressão atinge 17 milhões de brasileiros desde crianças até idosos. Na maioria das pessoas, ela se manifesta como uma tristeza muito grande. Para outras ela surge do nada, sem nenhuma causa aparente. De cada 10 pessoas que procuram o médico, pelo menos uma está deprimida. “A depressão é uma doença da alma, do espírito. Na neurologia, se estuda a doença do cérebro como órgão, já a psiquiatria estuda os transtornos mentais. A depressão é como um estado de pré-morte, da perda da vontade de viver”, afirma o psiquiatra Ururahy Botosi Barroso.

Uma mulher de Rio Preto (SP), que prefere não se identificar, vive um mundo sem perspectiva. Já são 20 anos assim, com uma tristeza que não acaba mais. Atualmente para dormir a paciente toma três comprimidos. A dosagem dos medicamentos aumentou depois que o pai dela ficou doente, no começo do ano. “É uma vida em preto e branco, todas as coisas que eu gostava de fazer, não faço mais. Tenho de reunir força não sei da onde para conseguir trabalhar e cuidar dos meus pais, que são idosos”, afirma.

Em muitos casos, as pessoas que precisam de ajuda acabam procurando apoio nos centros de valorização à vida. Seja pessoalmente, ou por telefone, elas têm um único desejo: querem ser ouvidas. “A vida moderna traz a solidão e isso traz a tristeza. O homem é um ser social, ele não pode viver sozinho e quando está sozinho ele se desestrutura. Quando ele liga para nós ele tem alguém para ouvi-lo”, diz a vice coordenadora da CVV em Rio Preto, Marihá Ferrari.

Mas especialistas afirmam: para que o tratamento tenha efeito, ele precisa ser aliado a terapias e mudanças de hábito. “A doença da depressão é uma comunicação com o corpo dizendo que existe algo para ser mudado, corrigido. Por isso precisa mudar para crescer”, afirma o psiquiatra.
Recomendações que a cozinheira Amélia Almeida Prado seguiu. Depois de sofrer pela morte do marido e ter depressão pela terceira vez, ela leva o tratamento a sério. Hoje voltou a ter uma nova vida. “Se não fizer o tratamento, não consegue sair sozinho da situação”, diz.

O publicitário César Marcondes também fez a parte dele e se curou de uma depressão causada pela rejeição da mãe biológica quando ainda era criança. Para ele, o principal remédio para vencer a doença foi a força de vontade. “Se a pessoa não reconhecer o problema, não vai ser curada nunca”, diz.

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